segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ex-catadora de latinha brilha em peça de João Falcão e é 'adotada' por Luana Piovani

http://oglobo.globo.com/fotos/2009/03/13/13_MVG_adelaide.jpg



RIO - Três Corações, cidadezinha de 75 mil habitantes no interior de Minas Gerais, sempre teve orgulho de ser a terra natal de Pelé. Pois uma garota de 18 anos que catava latinhas para ajudar a família e tocava sax em enterros virou a mais nova celebridade local. Adelaide de Castro tem 18 anos, nove irmãos e a delicadeza de uma protagonista de novela das seis.

Há sete meses ela veio ao Rio disputar uma vaga num concurso promovido por João Falcão, o diretor que revelou nomes como Wagner Moura e Lázaro Ramos. João procurava jovens de todo o país para montar a Companhia Instável de Teatro e o espetáculo "Clandestinos", justamente sobre jovens que batalham carreira nos palcos do Rio. Eram três mil candidatos para 14 vagas. Adelaide ficou. E tornou-se a revelação da peça, que reestreou quinta-feira no Teatro das Artes , na Gávea, depois de fazer sucesso no fim de 2008 no Teatro Glória.

É difícil ficar indiferente à moça. Quando a viu nos primeiros testes, João sabia que ela ia passar. Maria Simas, produtora do espetáculo, encantou-se tanto que lhe arrumou um estágio. E Luana Piovani, ao saber que a garota precisaria sair da casa onde estava hospedada, não pensou duas vezes: levou-a para seu apartamento, no Leblon.

- Tudo foi acontecendo tão rápido que só outro dia me dei conta: "Caramba, estou morando no Rio, na casa da Luana Piovani, fazendo teatro profissional com o João Falcão!" Que coisa louca é a vida, né? - Adelaide se assusta.

A vida da garota começou a mudar há cinco anos, quando ela conheceu o cineasta Braz Chediak. Adelaide cuidava dos irmãos mais novos e fazia aulas de artesanato no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil do governo federal. Um dia, os meninos do programa foram levados para ver "Pluft, o fantasminha", numa escola da cidade. Adelaide saiu de lá fascinada e descobriu que o grupo fazia parte de um outro projeto social - o Pedalarte, criado por Chediak para formar atores e técnicos. Ela entrou para a turma e, em um ano, já estava representando "Pluft". Depois estreou em "O auto da compadecida" e "No meio do caminho", uma adaptação de "As desgraças de uma criança", de Martins Pena.

Adelaide pensava que viraria professora, mas descobriu outra vocação nas aulas de Chediak, que, a essa altura, tinha criado também um projeto para formar músicos. E lá estava Adelaide nele, aprendendo sax, o que lhe renderia uma vaga na banda da cidade e os tais convites para tocar em datas cívicas e enterros.

- Ela sempre me chamou a atenção pela disciplina e tenacidade - diz Chediak. - Você não tem idéia de quantos jovens têm me procurado querendo fazer teatro. Adelaide virou um exemplo na cidade.


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